FUTEBOL BRASILEIRO: Morre J. Hawilla, delator e réu confesso do Fifagate

O PIVÓ DO MAIOR ESCÂNDALO DO FUTEBOL BRASILEIRO MORREU AOS 74 ANOS 
SÃO PAULO - O empresário, jornalista e advogado J. Hawilla morreu na manhã desta sexta-feira, aos 74 anos, após passar quatro dias internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, com problemas respiratórios. Hawilla havia retornado ao Brasil em fevereiro depois de se tornar réu confesso e delator do Fifagate, maior escândalo de corrupção da história do futebol, nos Estados Unidos. Ele era dono da Traffic, empresa de marketing esportivo que, segundo o acordo de colaboração firmado com o FBI, repassava propina para dirigentes da FIFA e Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na compra de direitos comerciais de torneios na América do Sul.
Preso pelo FBI em maio de 2013, Hawilla se dispôs a colaborar com as autoridades americanas por meio de delação premiada. Também concordou em pagar multa de 151 milhões de dólares, mas, até sua morte, havia devolvido apenas 25 milhões. O julgamento de J. Hawilla estava marcado para 2 de outubro no tribunal federal de Nova Iorque. Em dezembro do ano passado, ele compareceu à Corte como testemunha no julgamento do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro, suborno e formação de quadrilha. Na ocasião, o empresário já demonstrava sinais de fragilidade da saúde. Utilizava cilindro de oxigênio para auxiliar a respiração.
Documentos e grampos telefônicos apresentados por Hawilla à Justiça americana ajudaram a desencadear o Fifagate, que, entre seus mais de 40 réus, incluindo dirigentes e empresários, levou ao indiciamento de barões da cartolagem nacional, como os ex-presidentes da CBF Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, banido pela FIFA em abril deste ano por suspeitas de corrupção. Em seus depoimentos, Hawilla se dizia arrependido e reconhecia que não deveria ter aceitado os pedidos de propina dos dirigentes.
Além da Traffic, também era dono de jornais e fundador da TV TEM, afiliada da Rede Globo no interior paulista. A prefeitura de São José do Rio Preto, cidade natal do empresário, decretou luto oficial de três dias. Em nota, o governador de São Paulo, Márcio França, afirmou que “com a morte de J. Hawilla, a imprensa perde um experiente empresário que contribuiu para o jornalismo esportivo e para a ampliação dos meios de comunicação no interior paulista”. Ele será enterrado nesta sexta-feira, às 17h, no cemitério Getsêmani, em São Paulo.

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